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Um experimento de design no dia a dia.

Uma imagem de paz de espírito para começar bem o post

Lavar louça é uma tarefa onde a disposição para fazê-la, é inversamente proporcional à quantidade de louça suja na pia:

Quanto mais louça, menos disposição para lavar.

Porém essa tarefa tem para mim uma recompensa muito boa; a paz de espírito de ver uma pia limpinha?—?Ahhh, que sensação boa e de dever cumprido! ?
Sempre que preciso pensar melhor, lavar a louça é como “limpar a mente”.

E em um dia com muita louça suja e uma cabeça muito cheia é que começa essa história.

Três é Demais (por onde andam?)

Somos em três pessoas aqui em casa: eu, minha mãe e irmão. Agora uma pergunta rápida:

— Quantos talheres são preciso para passar manteiga em um pão?

Se você respondeu “um”, você com certeza não é minha mãe.
Ela é o tipo de pessoa que precisa de seis facas: uma para cortar o pão até a metade, outra para cortar o restante, uma para passar a manteiga de um lado, outra para o outro, uma faca para raspar o excesso de manteiga das facas de um lado e outra para raspar o excesso do outro.

E depois de um dia de muito trabalho e dor de cabeça, fui à cozinha e me deparei com um episódio recorrente: uma louça digna de um almoço em família do Mr. Catra.

Descoberta do problema ?

Ao ver aquela quantidade imensa de louça e considerando o meu estado de extremo cansaço, eu tive uma reflexão (e um susto também):

“O que eu poderia fazer para não ter mais que lavar essa quantidade de louça todos os dias?”

E comecei a pensar em algumas perguntas:

  • essa tarefa é exclusivamente minha?
  • estariam se aproveitando de mim?
  • por que isso ocorre tão frequentemente?
  • por que há tanta louça mesmo com três pessoas na casa?

Forçando a minha memória, comecei a perceber um padrão: quando haviam mais objetos à disposição na pia/escorredor, havia mais louça para lavar depois. Por exemplo, naquele momento haviam: 8 xícaras, 5 copos, 4 pratos, 8 colheres, 9 garfos e 9 facas.

Ok, vamos voltar um pouco: quantas pessoas haviam na casa? Três? Então por que haviam 8 xícaras? É mais do que o dobro!

Hipótese minimalista ?

Esse padrão me levou a uma hipótese:

“Se eu deixar acessível só o número de objetos equivalente ao número de pessoas na casa, a louça irá diminuir?”

Me parece bem lógico: três pessoas, três pratos (ou tipo de talheres). Caso precise de mais, é só pegar. Não há necessidade de se ter todos os pratos da casa expostos no escorredor, não é mesmo?

OK, louça lavada e seca; hora de colocar o experimento em prática! Deixei apenas três objetos ­– três talheres de cada, três pratos e três copos/xícaras – acessíveis no escorredor.

Eu sabia que esse experimento não poderia ser validado em apenas um dia, então defini o prazo de validação para 5 dias. Tempo suficiente para notar alguma diferença e poder comprovar então essa hipótese.

Agora: vai!

Validação da hipótese: é um milagre! ?

Com o passar dos dias, nem conseguia acreditar: a louça realmente diminuiu! O que levava cerca de 1h, passou a levar 20min sem pressa.

Como esperado, não era um resultado 100% perfeito: em alguns dias houve um aumento de talheres e pratos (pela batata frita valeu a pena). Mas realmente, o volume diminuiu consideravelmente em relação aos dias anteriores e o tempo para executar a tarefa também.

Me dei um daqueles auto abraços vergonhosos

O que eu aprendi? ?

Eu sei… Te devo desculpas pelo título, eu ainda tenho que lavar louça. Mas depois dessa, agora lavo muito menos.

Com esse pequeno experimento, tirei alguns aprendizados:

  • a utilização de algo leva muito em conta a sua acessibilidade;
  • pessoas vão pensar mais antes de uma ação se essa exigir mais esforço;
  • apesar das personalidades, a falta de controle não era o problema, e sim, o fácil acesso aos objetos (pra que pegar o copo que já usei no meu quarto, se tenho um limpo bem aqui?);
  • o que não é visto, pode não ser percebido (ninguém reparou a diminuição dos objetos);
  • testar não custa nada, não testar pode custar muito;
  • os pequenos detalhes realmente importam;
  • o excesso é sempre negativo;

E não acabou…

Bônus! ?

E um dos aprendizados mais importantes:

O hábito começa com uma simples mudança.

Após esse experimento despretensioso, notei que depois de utilizar os talheres, minha mãe e irmão já os levam para pia e invés de pegar um limpo na gaveta, lavam os que estão sujos para utilizar.

É como se batessem o olho no escorredor e pensassem:

“Hm… Não tem mais talheres, vou ter que lavar um pra usar.”

Algo que não acontecia quando se tinha todos os talheres da casa expostos no escorredor.

É o cérebro dizendo primeiro que: “você não tem talheres limpos”, antes de dizer “pegue um na gaveta”. Por que? Talvez porque o hábito era pegar algo no escorredor e não na gaveta. Antes se tinha tudo exposto, e, ao não encontrar ali, o pensamento mais intuitivo é de que “acabaram” os talheres. Interessante, não?

Mais curioso que cueca por cima da calça

Beleza, mas… Design? O que isso tem a ver?

Quantas vezes nos esbarramos com problemas diários que não damos importância, e que, com um pouquinho de atenção poderiam ser resolvidos ou amenizados significavelmente?

Tudo isso que foi contado acima, são processos e métodos usados diariamente na rotina de designers no mundo inteiro.

Não acredita? No método Design Thinking é utilizado o diagrama do Duplo Diamante (Double Diamond). Dá uma olhada e fala se não faz sentido:

Parece alguém com um óclinhos sorrindo, né?

Apesar de ter a palavra “design” no nome, esse processo pode ser usado por qualquer pessoa/profissional e para qualquer tipo de problema que se queira resolver ou amenizar.

Vou escrever o passo a passo que utilizei para fazer esse experimento:

  • Descobrir:
    observei que a quantidade de louça não era compatível com o número de pessoas e lembrei que a louça era menor com menos objetos acessíveis;
  • Definir:
    baseado nessas descobertas, tentei transformar meu problema em uma pergunta para responder e resolver com ideias e defini uma hipótese com a base na relação entre pessoas x objetos;
  • Desenvolver:
    decidi o que iria ser feito e qual o prazo para validar se essa era verdadeira ou falsa e coloquei o experimento em prática;
  • Entregar:
    observei o andamento do experimento e documentei (com esse artigo) o que aconteceu para poder validar a hipótese e tirar aprendizados dos resultados.

Olhando mais atentamente agora, fica clara a utilização desse método, não é?
E você, quando vai começar a utilizar o Design no seu dia a dia? ?

Se chegou até aqui, meu muitíssimo obrigado!
Demonstre que gostou batendo quantas palmas quiser ?

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Como o Design me ajudou a não lavar mais a louça was originally published in UX Collective ?? on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Source: Brasil UX design