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Olá, como posso ajudar?

Afinal, queremos que nossos produtos marquem tanto a vida das pessoas como suas músicas favoritas. Não é mesmo?

No último final de semana passei cerca de 50% do tempo trabalhando em arranjos que estavam parados a alguns meses. São músicas muito boas mas, por algum motivo, eu não consegui evoluí-las de cara (tirar de um voz e violão e começar a pensar na sua composição).

Quando a música é ruim eu levo esse bloqueio numa boa, mas quando a música é boa isso me frustra muito.

Ai começa o brainstorm louco: busco zilhões de referências no Spotify, converso com outros produtores, plugo a guitarra e faço dezenas de testes, abro uma cerveja… E vou nessa loucura até me destravar.

Esses “partos” são bem doloridos pra mim. Música deveria ser leve e não gerar tantas contrações. Pra mim música envolve inspiração, mas tem dias que não to inspirada.

Sound is space. The stereo image you create is your responsibility. The creation of your space is freedom. But sometimes it’s a heavy task.?—?Daniel Lopatin

Quando estava na terceira cerveja lembrei da minha promessa de inicio de ano de “não beber mais” e decidi que precisava sanar a loucura e buscar um processo mais saudável me para desbloquear.

UX Designer pode ter bloqueio criativo?

Uma das maiores discussões na faculdade era a relação entre design e arte, e como não podemos (ou podemos) nos manter presos somente a inspiração. Tem dias que ela não vem, e provavelmente será no dia que o deadline estará mais próximo.

Eu sempre fui do time que via design mais como função do que como arte, e documentava todos os frameworks que me ajudariam nos processos do dia a dia.

Uma vez participei de uma concorrência grande numa agência. Acho que a mais importante da minha vida. Era para uma companhia telefônica. Tivemos 3 dias para entregar a concorrência. Foram 3 dias inteiros na agência (eu saí cerca de 2 horas no segundo dia para tomar banho em casa e pegar um colchão inflável), pizzas no almoço e jantar, cochilos de 1 hora quando o sono apertava muito e 20 pessoas enlouquecidas correndo para todos os lados.

Entregamos. E ganhamos!

Foi um projeto de 1 ano que mudou a minha forma de ver o design (e também me fez sair de agências, mas isso é outro assunto rs).

O fato é que, durante essa concorrência, eu aprendi uma coisa continuo levando nos meus projetos até hoje: você ganha a concorrência se o seu produto mostrar o quanto você é apaixonado pelo seu cliente.

Fizemos uma coisa doida nessa concorrência. Transformamos a agência inteira em um cinema antigo (só para contextualizar, o projeto foi uma série de videos para inbound marketing). Na entrada transformamos o jardim em uma bilheteria, na sala de gráfico a venda de pipocas e doces, a cozinha e o corredor tinham posters com os filmes em cartaz e a sala de reunião era o grande cinema. No cinema apresentamos 3 teasers com a linguagem visual que queríamos aplicar nos vídeos e o nosso diretor de arte fez uma especie de Oscar, apresentando 4 troféus com os pontos que seriam vencedores em todo o projeto.

Foi lindo. Sério. As 5 pessoas da companhia telefônica que foram até a agência não quiseram sair de lá no final. Ficamos comendo pipoca e tomando coca sem gás por mais de uma hora.

No quarto mês do projeto, durante uma reunião no cliente, eles disseram que já na entrada decidiram pela gente. Obviamente eu fingi naturalidade quando ouvi isso rs, mas o meu primeiro pensamento foi: ainda bem que tivemos a ideia nos primeiros minutos da concorrência. Um bloqueio criativo teria acabado com essa oportunidade.

Voltei para o escritório e comentei isso com a minha DA. Ela riu e disse: nós tivemos bloqueios criativos. Vários! Mas não tínhamos tempo para romantizar os bloqueios, então focamos em nos apaixonar pelo problema. Tem alguem mais criativo do que namorado apaixonado no dia dos namorados?

…não tínhamos tempo para romantizar os bloqueios, então focamos em nos apaixonar pelo problema.

Voltando à música

Liguei para uma das cantoras que estou produzindo e passei uns 30 minutos conversando com ela sobre os seus últimos shows. Descobri que ela tocou na virada do ano e que queimou a mesa de som (e as pessoas pensaram que já eram os fogos rs), que ela fechou uma série de shows no sul do país e que as pessoas pararam de pedir para que ela toque sertanejo depois que ela começou a tocar eletrônico.

Perguntei como ela se sentia tocando eletrônico e como as pessoas reagiam nos shows. E, para a minha surpresa, depois de 2 anos lutando para não tocar mais Marília Mendonça (para deixar claro: ela gosta, mas só de ouvir rs) ela enfim achou algo que as pessoas curtem mais para dançar.

Bingo! Com 30 minutos de conversa eu tive várias ideias do caminho que deveria seguir, e com mais 2 horas de produção eu mandei para ela uma ideia para uma música que estava parada a mais de 5 meses.

Essa é a vida de UX, e de todo mundo

Conversar, observar e gerar empatia. Faço isso no dia a dia como UX e não percebi que isso não é “trabalho de UX”, é propósito de vida.

Proporcionar boas experiências para as pessoas é a base dos relacionamentos. Um cantor tem um relacionamento com seus fans, uma empresa com os seus consumidores e eu com os meus amigos e familiares.

Peguei todas as músicas que estavam paradas e pensei: o que a pessoa que vai ouvir precisa sentir? Que momento da vida dela será marcada com essa música? Qual o mood da festa que essa música vai tocar?

Algumas respostas eu tive de cara, outras anotei perguntas que preciso ir à campo para responder. Mas em todas elas eu tive o mesmo foco: que quem ouça sinta o quanto o intérprete estava apaixonado ao cantar essa música.

Afinal, ninguém esquece a série incrível que o Netflix recomendou, a música que tocava na novela favorita ou a incrível surpresa que recebeu no dia dos namorados.

Experiências, meu caro Watson. Experiências!

Com uma guitarra na mão eu realmente entendi o poder delas.

https://medium.com/media/e0fb251bacbb38536ef3a1898fabd002/href


Como produção musical me ajuda a ser uma UX Designer melhor (e vice e versa) was originally published in UX Collective ?? on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Source: Brasil UX design