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Há pouco mais de seis meses tive a oportunidade de entregar o projeto que mais me orgulho até hoje: meu tcc. Com o foco em design de serviço e digital, propus uma solução na área da saúde da mulher.

Apesar de, normalmente, o processo de desenvolvimento e criação de um trabalho de conclusão ser uma grande dor de cabeça para alguns, eu encarei como uma oportunidade de aprender, refletir e colocar em prática tudo que me foi ensinado durante a graduação.

Logo, decidi compartilhar alguns aprendizados, reflexões e discussões com o mundo. Quem sabe assim, de repente, ajudo alguém em algum outro projeto.

Para iniciar esta série de artigos, escolhi o tema que mais tive dificuldade em achar materiais em português. Você já ouviu falar em Design Universal?

Lembro que ao entrar em contato com estes conceitos pela primeira vez, me questionei sobre a aplicabilidade em ambientes digitais.

O conceito de Design Universal foi utilizado pela primeira vez na de?cada de 70, pelo arquiteto norte americano Ronald Mace, com o intuito de definir o conceito de criac?a?o de projetos que fossem acessi?veis para todos. Incialmente, foi aplicado em projetos de arquitetura. Posteriormente, passou a ser usado, tambe?m, na criac?a?o de produtos, servic?os e arquitetura de informac?a?o.

Para garantir que qualquer pessoa possa utilizar uma soluc?a?o ou um produto da melhor forma possi?vel, foram elaborados em 1997, pela Universidade do Estado da Carolina do Norte (North Carolina State University)?—?que hoje mante?m o Center for Universal Design, principal centro de refere?ncia sobre o assunto?—?sete princi?pios que o designer/projetista deve levar em considerac?a?o durante o processo de criac?a?o.

Lembro que ao entrar em contato com estes conceitos pela primeira vez, me questionei sobre a aplicabilidade em ambientes digitais. Os princípios são bastante focados em objetos e espaços, então como aplicá-los no desenvolvimento de aplicativos e sites? Na lista a seguir, apresento as sete recomendações, suas traduções e aplicações para o digital.

1. USO EQUITATIVO

O design precisa ser u?til e comercializa?vel para pessoas com diferentes habilidades, sem estigmatizar e/ou segregar o usua?rio, ale?m de garantir a utilizac?a?o segura e facilitada para todos.

No mundo digital:

Criação de interfaces que podem ser utilizadas pelos mais diversos perfis de usuários, com as mais variadas habilidades.

2. FLEXIBILIDADE DE USO

O design deve suprir as mais diversas prefere?ncias e habilidades de uso, sendo adapta?vel de acordo com as caracteri?sticas do usua?rio, facilitando a exatida?o e precisa?o de sua utilizac?a?o.

No mundo digital:

Aqui falamos sobre personalização do uso de acordo com as necessidades de cada usuário. Como, por exemplo, a possibilidade de aumentar o tamanho da tipografia ou ajustar o contraste das cores. Este, talvez, seja o princípio mais importante quando falamos sobre acessibilidade. Será que os produtos digitais que criamos são adaptáveis para pessoas idosas, por exemplo? Ou para pessoas com baixa visão?

3. USO INTUITIVO

A compreensa?o do produto/design na?o deve ser baseada no reperto?rio possi?vel do usua?rio, seja em aspectos de conhecimento, compete?ncia lingui?stica ou ate? dos ni?veis de concentrac?a?o que usua?rio dispo?e. Logo, deve-se eliminar as complexidades de uso e corresponder a?s expectativas e intuic?o?es do usua?rio, a partir de estrate?gias como hierarquizac?a?o de informac?o?es e feedbacks apo?s a conclusa?o de tarefas.

No mundo digital:

O título é autoexplicativo e as recomendações acima se enquadram perfeitamente na criação de sistemas. Falamos de experiências simples, facilitadas e intuitivas.

4. INFORMAC?A?O PERCEPTI?VEL

Comunicar claramente e abundantemente as informac?o?es necessa?rias, utilizando diferentes modos de linguagem (pictografico, verbal e ta?til), considerando as habilidades sensoriais dos usua?rios e as condic?o?es do ambiente, ale?m de garantir acesso a essas informac?o?es por pessoas com limitac?o?es sensoriais.

No mundo digital:

Peguemos como exemplo projetos de sinalização. Usamos cores, pictogramas, ícones e outros recursos para garantir que a mensagem está clara para quem navega por aquele ambiente. No digital essa características está presente na junção de ícones + textos, como por exemplo, em menus mobile. Os pictogramas, por sua vez, são parecidos com o que vemos offline e, às vezes, remetem aos mesmos assuntos, como o uso da interrogação relacionado a algum tópico de ajuda ou o “i” de informação.

5. TOLERA?NCIA AO ERRO

Minimizar os riscos e conseque?ncias de ac?o?es acidentais ou na?o intecionadas. Avisos de perigo e erro, a criac?a?o de barreiras para atividades arriscadas e a organizac?a?o dos elementos a partir de sua importa?ncia sa?o alguns estrate?gias que podem ser utilizadas para garantir esse princi?pio.

No mundo digital:

Podemos relacionar aos avisos que os sistemas nos dão ao realizarmos alguma atividade arriscada como, por exemplo, deletar um arquivo permanentemente. Imagina só se não aparecesse aquela caixa de mensagem perguntando: “você tem certeza que deseja fazer isso?”… Aposto que muita gente já teria perdido arquivos importantíssimos!

6. BAIXO ESFORC?O FI?SICO

A utilizac?a?o do design/produto deve ser conforta?vel e eficiente, com o mi?nimo de esforc?o possi?vel. Garantindo, assim, o uso anato?mico e natural dos movimentos corporais para operac?a?o e evitando esforc?os repetitivos e desnecessa?rios.

No mundo digital:

Aqui entram as microinterações e o uso de gestos para navegar por aplicativos ou páginas. Um bom exemplo é a forma que o Google encontrou para encurtar os passos de arquivamento de e-mail. A possibilidade de arrastar a mensagem para o lado e arquivá-la é eficiente e encurta o caminho para realizar esta ação.

7. TAMANHO E ESPAC?O PARA ACESSO E USO

O espac?o fornecido para aproximac?a?o, uso, alcance e manipulac?a?o deve ser apropriado independentemente do tamanho do corpo do usua?rio, postura ou mobilidade. Deve fornecer uma visa?o clara dos elementos importantes e garantir o acesso a todos os elementos, ale?m de proporcionar o espac?o apropriado para a utilizac?a?o de ferramentas de auxi?lio ou assiste?ncia pessoal (ex.: bengala, cadeira de rodas, etc).

No mundo digital:

Talvez este seja o mais difícil de relacionar com algo digital. Mas a frase “Deve fornecer uma visa?o clara dos elementos importantes”, nos remete a hierarquia e a um layout claro e organizado.

Por fim, o que mais gosto dos princípios do Design Universal é que eles foram pensados e criados para garantir o uso democrático e equitativo de espaços, objetos e, porque não, produtos digitais.

No final, estamos falando sobre acessibilidade e usabilidade de uma outra forma. É interessante notar com os tópicos apresentado se relacionam com as leis Nielsen e com as oito regras de ouro do design de interface, de Ben Shneiderman.

Quais serão as diferenças e semelhanças entre Design Universal, usabilidade e acessibilidade? No próximo texto falaremos sobre isso.

Até a próxima!

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Design universal aplicado no mundo digital — faz sentido? was originally published in UX Collective ?? on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Source: Brasil UX design